Brasil Um beijo Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida! Morreste, e o meu desejo não te olvida: queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, e do teu gosto amargo me alimento, e rolo-te na boca malferida. Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, batismo e extrema-unção, naquele instante por que, feliz, eu não morri contigo? Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, beijo divino! e anseio delirante, na perpétua saudade de um minuto.... Olavo Bilac
Angola Luta Violência vozes de aço ao sol incendeiam a paisagem já quente E os sonhos se desfazem contra uma muralha de baionetas Nova onda se levanta e os anseios se desfazem sobre os corpos insepulcos E nova onda se levanta para a luta e ainda outra e outra até que da violência apenas reste o nosso perdão. Agostinho neto
Cabo Verde Barcos "Nha terra é quel piquinino É São Vicente é que di meu" Nas praias Da minha infância Morrem barcos Desmantelados. Fantasmas De pescadores Contrabandistas Desaparecidos Em qualquer vaga Nem eu sei onde. E eu sou a mesma Tenho dez anos Brinco na areia Empunho os remos... Canto e sorrio... A embarcação: Para o mar! É para o mar!... E o pobre barco O barco triste Cansado e frio Não se moveu... Yollanda Morazzo
São Tomé e Príncipe Memória da Ilha do Príncipe Mãe, tu pegavas charroco nas águas das ribeiras a caminho da praia. Teus cabelos eram lembas-lembas, agora distantes e saudosas, mas teu rosto escuro desce sobre mim. Teu rosto, liliácea irrompendo entre o cacau, perfumando com a sua sombra o instante em que te descubro no fundo das bocas graves. Tua mão cor-de-laranja oscila no céu de zinco e fixa a saudade com uns grandes olhos taciturnos. (No sonho do Pico as mangas percorrem a órbita lenta das orações dos ocãs e todas as feiticeiras desertam a caminho do mal, entre a doçura das palmas). Na varanda de marapião os veios da madeira guardam a marca dos teus pés leves e lentos e suaves e próximos. E ambas nos lançamos nas grandes flores de ébano que crescem na água cálida das vozes clarividentes. Maria Manuela Margarido
Moçambique Poema da despedida Não saberei nunca dizer adeus Afinal, só os mortos sabem morrer Resta ainda tudo, só nós não podemos ser Talvez o amor, neste tempo, seja ainda cedo Não é este sossego que eu queria, este exílio de tudo, esta solidão de todos Agora não resta de mim o que seja meu e quando tento o magro invento de um sonho todo o inferno me vem à boca Nenhuma palavra alcança o mundo, eu sei Ainda assim, escrevo Mia Couto
Guiné Cantos do meu País Canto as mãos que foram escravas nas galés corpos acorrentados a chicote nas américas Canto cantos tristes do meu País cansado de esperar a chuva que tarde a chegar Canto a Pátria moribunda que abandonou a luta calou seus gritos mas não domou suas esperanças Canto as horas amargas de silêncio profundo cantos que vêm da raiz de outro mundo estes grilhões que ainda detêm a marcha do meu País Julião Soares Sousa
Portugal Poeta castrado não! Serei tudo o que disserem por inveja ou negação: cabeçudo dromedário fogueira de exibição teorema corolário poema de mão em mão lãzudo publicitário malabarista cabrão. Serei tudo o que disserem: Poeta castrado não! Os que entendem como eu as linhas com que me escrevo reconhecem o que é meu em tudo quanto lhes devo: ternura como já disse sempre que faço um poema; saudade que se partisse me alagaria de pena; e também uma alegria uma coragem serena em renegar a poesia quando ela nos envenena. Os que entendem como eu a força que tem um verso reconhecem o que é seu quando lhes mostro o reverso: Da fome já não se fala - é tão vulgar que nos cansa - mas que dizer de uma bala num esqueleto de criança? Do frio não reza a história - a morte é branda e letal - mas que dizer da memória de uma bomba de napalm? E o resto que pode ser o poema dia a dia? - Um bisturi a crescer nas coxas de uma judia; um filho que vai nascer parido por asfixia?! - Ah não me venham dizer que é fonética a poesia! Serei tudo o que disserem por temor ou negação: Demagogo mau profeta falso médico ladrão prostituta proxeneta espoleta televisão. Serei tudo o que disserem: Poeta castrado não! Ary dos Santos
Ha Ha Ha Ha ... A Espanha a falar de imperialismo! De repente, veio-me à cabeça o País Basco...Porque será? Pois, infelizmente, fomos mesmo um país imperialista... Mas eu orgulho-me de todas as nossas ex-colónias que souberam lutar pela sua indepência e que a conseguiram e hoje são Nações Livres!!! Temos muitas coisas em comum ainda, mais que não seja a língua portuguesa e uma grande diversidade cultural...E, mais uma vez, a Poesia pontififica! Viva a Poesia!
Uuuuuuuffffffffffff!!!!!!!! El País Vasco es un tema muito fodido, no se puede entrar en el tema muy a la ligera. Porque los nacionalistas dicen que ellos sí llegaron una vez a ser una nación, pero ya se sabe como son los movimientos nacionalistas, que lo inflan todo. Algunos dicen que están invadidos, y se quieren comparar con el Ulster o con el Kurdhistan, pero la situación no tiene nada que ver con los otros dos ejemplos, no tiene sentido, aquí no hay ocupación militar ni nada por el estilo, son una autonomía más dentro de un país formado por 17 comunidades autónomas. Pero vamos que esun tema para sentarse un día a hablar de ello tranquilamente . Perdón por falar en espanhol, mais nao podría explicarlo de outro modo.
Viva a língua portuguesa! Já não dominamos ninguém nos dias k correm, nem o nosso próprio país...! as colónias fazem mesmo parte de um passado longíquo, e acho k a poesia é uma LINDA maneira de fazer uma espécie de paz e concordância entre as gentes bjinhos*
E até à próxima... agora é mesmo quando tenho tempo pa passar pelos computadores da faculdade... MUITOS BEIJINHOS PA TODOS*
Como é que me esqueci?!?! Aqui deixo este poema com imenso carinho REFLEXOS DE TIMOR Reflexos da terra há muito deixada Por tantos e tantos chorada... Reflexos de um mar sedento de Paz Corado do sangue de todo o que jaz... Reflexos de um grito do Monte Cansado de tanto sofrer... Reflexos, Reflexos de Timor... Reflexos de quem clama a Justiça De um Mundo sem Lei nem Amor! Reflexos de um Povo que grita Liberdade, Liberdade, Viva Timor!